terça-feira, 14 de junho de 2016

O plano de Gates: Matemática e Galinha?

Pode uma galinha mudar o mundo?


Bill Gates, o homem mais rico do mundo, é famoso também por suas atividades filantrópicas. Ao longo da vida, ele já distribuiu mais de US$ 36,7 bilhões (R$ 124,4 bilhões) por meio da Bill & Melinda Gates Foundation, fundação que mantém com sua mulher, Melinda Gates. Mas agora o bilionário acredita que pode fazer diferença de uma maneira um tanto quanto inusitada: ele pretende doar 100 mil galinhas para pessoas que vivem nos países da África subsaariana. Como tudo em sua vida, Gates tomou a decisão depois de usar a matemática.


Ao fazer as contas, ele concluiu que um pequeno fazendeiro africano que receber três galinhas e um galo pode chegar a ter 12 galinhas em três meses e até 250 em pouco menos de um ano. Como o preço médio de uma galinha na África gira em torno de US$ 5 (R$ 16,90), seria possível obter uma renda anual de US$ 1.250 (R$ 4.237) com a venda delas, lembrando que uma pessoa considerada extremamente pobre no continente tem renda mínima anual de US$ 700 (R$ 2.373).

“Eu faria isso se fosse pobre”, ele escreveu em um post recente em seu blog no qual explicou o plano.

 Alguns críticos disseram que o programa foi um golpe de publicidade e não iria resolver os problemas subjacentes da pobreza na África. "Nosso Pai, que estais com tio Bill, santificado seja o teu capricho...", escreveu satirista da Nigéria e autor Elnathan John no Twitter.

O primeiro país a receber doações de Gates para a criação de galinhas foi a Etiópia, destino de US$ 7 milhões (R$ 23,7 milhões) doados por ele.

Gates, reconheceu que alguns podem zombar do plano, mas insistiu que ele acredita que vai ter um impacto. "Parece engraçado", escreveu Gates no site do projeto "Mas estou falando sério quando digo que estou animado sobre galinhas.".


será?

 E aí? O que achou da ideia?

Fonte: Glamurama

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Ensinar matemática e dar uma mesada é uma boa forma de introduzir o dinheiro às crianças!


Sabemos que gastar dinheiro hoje em dia é uma decisão que requer pensamentos cada vez mais complexos. Nessa crise qualquer decisão, mesmo que pequena, afeta e muito no nosso bolso.

Então, por que não conscientizar os pequenos também?



O The Guardian enumerou 10 regras para ensinar seu filho sobre o dinheiro e aqui listamos elas!

1. Quando você gasta, eles estão olhando

Então fale sobre as suas escolhas nas compras, mostrando o porque você toma certas decisões.

2. Dê uma mesada regular

Uma boa opção ao invés de dar quantias aleatórias quando eles pedem, pois assim eles ganham noção do que podem ou não comprar.

3. Não associe o dinheiro a trabalho

Para que eles não peçam dinheiro a cada tarefa que realizarem.

4. Aceite que guardar dinheiro pode ser difícil para as crianças
Eles não têm um conceito tão desenvolvido de futuro e vivem mais o agora que os adultos.

5. Encoraje-os a aprender matemática!

Estudos mostram que crianças que não são boas a matemática, são mais ansiosas com o dinheiro.

6. Diga a eles de onde vem o dinheiro

As economias modernas são complexas e é normal que eles não percebam qual a origem do dinheiro.

7. Conforme seu crescimento, diga quanto ganha

Assim ganha uma perspectiva dos salários dos pais e sabe o que pode levar a um certo estilo de vida melhor ou pior.

8. Mostre o valor das experiências

Elas tendem a trazer mais felicidade que aquisições. Em vez de comprarem uma televisão nova, uma alternativa boa é um fim de semana fora.

9. Dê noção sobre o orçamento familiar

Assim eles podem assimilar o que pode ou não ser feito. E, em certos pontos, pode perguntá-los sobre o que vale a pena gastar o dinheiro.

E chegando ao final, uma regra muito especial!

10. Quando eles já tiverem uma maturidade maior, mostre-lhes que a vida é mais do que dinheiro!!





Fonte: The Guardian e Notícias ao Minuto 

terça-feira, 24 de maio de 2016

O livro de Matemática que Bill Gates indica!



            Em seu Blog, o Gatesnotes, o fundador da Microsoft divulgou uma lista de 5 livros para ler no próximo verão americano. Segundo Gates não há ciência por trás dos títulos que escolheu, "São simplesmente livros que eu amei, que me fizeram pensar de forma diferente e me mantiveram acordado quando eu deveria ir dormir", diz.



"O Poder do Pensamento Matemático - A Ciência de Como Não Estar Errado"
Jordan Ellenberg

          De acordo com Gates, o livro explica como a matemática aparece em nossas vidas diárias sem ser percebida.     
         O bilionário alertou que, embora a matemática fique um pouco complicada, o autor sempre resume as coisas para se certificar de que sejam compreendidas pelo leitor.
          Em uma resenha, o Washington Post disse que "o talento de Ellenberg para encontrar situações da vida real que ilustram os princípios matemáticos poderia dar inveja a qualquer professor de matemática".
         "A ideia principal do livro é, como Ellenberg escreve, 'fazer matemática é ser tocado pelo fogo e chamado pela razão' e que há maneiras nas quais todos nós estamos fazendo matemática, o tempo todo", afirmou Gates.

         No vídeo animado você confere a lista completa! Vale a pena dar uma olhada!


Áudio em inglês

          
Fonte: BBC (aqui você encontra a lista em português e um resumo dos livros) e Gatesnotes

quarta-feira, 2 de março de 2016

Abertas inscrições para Olimpíada Internacional Matemática Sem Fronteiras

Estão abertas as inscrições para a Olimpíada Internacional Matemática Sem Fronteiras (MSF), maior competição interclasses do gênero no mundo. Podem participar estudantes dos ensinos fundamental e médio de escolas de escolas públicas e privadas. A prova será no dia 15 de abril, na própria escola inscrita.

A competição foi criada em 1989 pelo Ministério da Educação da França. No ano passado, participaram mais de 200 mil alunos de 28 países, sendo 30 mil brasileiros. A prova é aplicada em nove diferentes idiomas.

No Brasil, a Olimpíada Internacional Matemática Sem Fronteiras é organizada pela Rede do Programa de Olimpíadas do Conhecimento (Rede POC), programa de intercâmbio científico que tem como objetivo estimular o interesse entre os estudantes pela ciência, tecnologia e inovação. A competição tem apoio do Consulado-Geral da França em São Paulo; do Conselho Nacional dos Secretários de Educação (Consed); do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária, instituição sem fins lucrativos ligada à Fundação Itaú Social; e da Universidade Metodista de São Paulo.

As classes que se destacarem serão premiadas com credenciamento para competições internacionais em que a Rede POC é reponsável pela seleção.

Veja mais aqui.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Teoria matemática explica por que conspirações estão fadadas ao fracasso

 

É difícil manter uma conspiração sob sigilo, afirmam cientistas, porque cedo ou tarde um dos conspiradores irá dar com a língua nos dentes.
Um estudo analisou por quanto tempo uma suposta conspiração pode "sobreviver" antes de ser revelada - de forma intencional ou não - ao público em geral.
David Grimes, da Universidade de Oxford, na Inglaterra, concebeu uma equação para expressar esse fenômeno, e aplicou a fórmula a quatro famosos conluios.
O trabalho foi publicado na revista científica Plos One.
A equação desenvolvida por Grimes, um físico que cursa pós-doutorado em Oxford, se baseia em três fatores: o número de conspiradores envolvidos, o tempo passado desde o evento e a possibilidade intrínseca de uma conspiração falhar.
Ele aplicou a equação a quatro famosas teorias da conspiração: a ideia de que a chegada do homem à Lua foi uma farsa, a crença de que a mudança climática não existe, a suposta ligação causal entre vacinas e autismo e a convicção de que companhias farmacêuticas esconderam a cura do câncer.
A análise de Grimes sugere que se as quatro conspirações fossem reais provavelmente já teriam sido reveladas.
Especificamente, o "boato" da conquista da Lua teria sido desmascarado em 3,7 anos; a "fraude" do aquecimento global, em 3,7 anos a 26,8 anos; a "conspiração" sobre vacinas e autismo, em 3,2 anos a 34,8 anos, e a "conspiração" do câncer, em 3,2 anos.
"Os métodos matemáticos usados nesse artigo são similares à matemática que usei anteriormente em minha pesquisa acadêmica sobre física das radiações", afirmou Grimes.

Construindo a equação
 Para determinar sua equação, Grimes começou com a distribuição de Poisson, uma ferramenta estatística que estima a probabilidade de um evento particular ocorrer em um certo período de tempo.
Usando suposições e dedução matemática, ele produziu uma fórmula geral, mas incompleta.
Ainda faltava uma boa estimativa sobre a probabilidade intrínseca de uma conspiração falhar, ou seja, vir a público. Para determinar isso, o pesquisador analisou informações sobre três conspirações reais.
A primeira foi o programa de vigilância da NSA (agência de inteligência americana) conhecido como Prism. O programa envolveu, no máximo, 36 mil pessoas, e foi revelado pelo ex-funcionário da NSA Edward Snowden após seis anos.
A segunda foi o experimento sobre sífilis de Tuskegee (EUA), em que homens negros com sífilis ficaram sem tratamento de forma deliberada para permitir estudar a "história natural" da doença. A pesquisa envolveu até 6,7 mil pessoas, e o médico Peter Buxtun revelou o caso após 25 anos.
A terceira foi um escândalo no FBI (polícia federal americana), tornado público pelo médico Frederic Whitehurst, sobre erros nas práticas forenses da agência, que levaram à prisão e à execução de pessoas inocentes.
Grimes estima que até 500 pessoas possam ter se envolvido nas práticas irregulares, e que o escândalo tenha levado seis anos para ser divulgado.
A equação criada pelo físico representa o "melhor cenário possível" para conspiradores - ou seja, assume que os conspiradores são bons em guardar segredos e que não há investigações externas sobre seus conluios.

Juntando os pontos
Ao confrontar os números de três conspirações conhecidas, Grimes calculou que a possibilidade intrínseca de uma conspiração falhar é de quatro em um milhão.
Embora o número seja pequeno, a chance de uma conspiração se tornar pública aumenta com o passar do tempo e com a quantidade de conspiradores.
O "boato" sobre o pouso na Lua, por exemplo, começou em 1965 e teria envolvido cerca de 411 mil funcionários da Nasa (agência espacial americana). Com esses parâmetros, a equação de Grimes sugere que uma farsa sobre o tema teria sido revelada depois de 3,7 anos.
As missões tripuladas à Lua são objeto de conhecidas teorias da conspiração
Além disso, como a suposta trama já tem 50 anos, a equação estima que, para isso, no máximo 251 conspiradores estariam envolvidos.
Desta forma, é mais razoável acreditar que a conquista da Lua foi real.
Monty McGovern, matemático na Universidade de Washington, disse que os métodos do estudo "surpreendem por serem razoáveis e as probabilidades, bastante plausíveis".
"Embora acredite que seja difícil mudar a opinião dos convictos, espero que esse artigo seja útil para aqueles mais em dúvida sobre a possibilidade de cientistas perpetuarem ou não um boato", afirmou Grimes.

Veja essa reportagem aqui.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Planejamento: dúvidas na volta à ativa após as férias

 


Depois de um bom tempo sem pensar nas questões relacionadas ao dia a dia da escola, a aproximação do retorno às aulas exige que o professor comece a se preparar. A rotina é parecida com a de anos anteriores: comparecer aos encontros pedagógicos, tomar conhecimento das suas turmas e, em seguida, planejar o ano letivo.
Esse processo todo pode parecer simples, mas não é. Antes que o ano se inicie, o docente deve investigar os conteúdos mais relevantes da série em que trabalhará, as necessidades de aprendizagem da turma e os desafios típicos da faixa etária de seus alunos. Nessa tarefa, vale recorrer à equipe da própria escola - gestores e colegas professores - e a outros materiais, como projetos e atividades do acervo da escola.

Ainda assim, é normal surgirem dúvidas e problemas durante o planejamento e nas primeiras semanas de aula. Abaixo, respondemos a cinco delas.
Peguei uma turma considerada difícil por meus colegas.

Como me preparo para encarar esse desafio?
Em primeiro lugar, relativizando o conceito de difícil. O comportamento dos alunos depende de sua relação com eles e as impressões sobre a "dificuldade" das turmas são muito particulares. Não são raras as ocasiões em que classes consideradas difíceis por um professor se dão bem com outro. "Ao assumir um grupo novo, o educador não pode carregar preconceitos que surjam a partir de conversas com os colegas - apesar de essa troca ser importante", explica Adriana Ramos, do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Moral das Universidades de Campinas (Unicamp) e Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (Unesp).
Nas conversas com os colegas, procure descobrir quais são especificamente os traços que tornam essa turma "difícil". Os problemas são relacionados a indisciplina, ao desempenho nas avaliações ou a qual outro fator? Caso o problema seja relacionado ao comportamento dos alunos (brigas constantes e divisão da sala em "panelinhas", por exemplo), planeje atividades que beneficiem a convivência, privilegiando o trabalho em grupos. Outra estratégia importante é a separação de um tempo semanal para discutir esses problemas, como as assembleias de classe.

Desconfio que minha turma ainda não tenha consolidados alguns conhecimentos de anos anteriores. O que devo fazer?
Antes de tudo, certifique-se de sua impressão. Uma avaliação diagnóstica precisa é essencial para que o docente parta do que as crianças já sabem e não perca tempo voltando ao que eles já conhecem. Ao notar que a turma - como um todo - não atingiu as expectativas de aprendizagem de anos anteriores, é importante repensar o planejamento. Os conteúdos ainda não dominados pela turma devem ser retomados. "Os alunos não podem deixar de aprender e, se eles não foram assimilados no passado, é papel do professor que assumiu a turma ensinar", defende Débora Rana, formadora do Instituto Avisa Lá e coordenadora pedagógica da escola Projeto Vida, na capital paulista.
Tenho alunos que, apesar de já estarem nos anos finais do Ensino Fundamental, ainda não leem e escrevem convencionalmente.

 Como corrigir esse problema?
A situação precisa ser resolvida pela equipe gestora da escola. Os professores especialistas, que dão aula nesse segmento, não costumam ter formação voltada à alfabetização. Por isso, coordenador e diretor devem planejar uma rotina para que esse aluno seja alfabetizado por um profissional preparado para a tarefa. "Enquanto isso, os docentes da turma contribuem planejando junto com o coordenador pedagógico adaptações e flexibilizações para as atividades em sala de aula para que o aluno não alfabetizado possa participar das aulas com os colegas", defende Débora Rana.
Darei aula em uma série diferente da qual estou acostumado. Como devo me preparar?
Seu planejamento deve ser feito com ainda mais cuidado. Os primeiros passos são conhecer as expectativas de aprendizagem para a nova série, entender as características da faixa etária e se desprender da turma anterior. "O educador também precisa refletir sobre a maneira como sua experiência em uma série diferente pode ajudá-lo nesse novo desafio", defende Daniela Panutti, coordenadora pedagógica da Escola Vera Cruz, na capital paulista. Converse com colegas que já deram aula nessa série e os antigos professores da turma que irá assumir. Eles podem lhe fornecer as informações necessárias para iniciar a esboçar um planejamento, já que conhecem as expectativas de aprendizagem para aquela série e também o ritmo de aprendizagem dos alunos.

Sou novo na escola. Como posso me inteirar?
Conhecer a nova instituição é o ponto mais importante. O professor novato precisa se informar sobre o perfil dos alunos, o projeto político-pedagógico e o regimento da instituição, por exemplo. Os primeiros meses serão de adaptação, em que o docente se desliga gradativamente da escola anterior. "Nesse momento, é preciso tomar cuidado para não fazer muitas comparações e querer transformar o novo colégio no antigo", explica Daniela Panutti. Por outro lado, o olhar estrangeiro pode ser benéfico para a nova instituição. "O novo docente enxerga aspectos que quem está acostumado à rotina escolar já não vê", defende a educadora.

Desconfio que um aluno possa ter uma deficiência intelectual. E agora?
É preciso observá-lo mais atentamente, levantando os traços de comportamento que diferenciam essa criança e a maneira como eles afetam sua aprendizagem.
Com uma descrição detalhada e objetiva em mãos, deve-se recorrer à equipe gestora, que dará as orientações mais adequadas. É preciso que se discuta, nesse momento, quais as necessidades específicas daquele aluno. Há casos em que apenas um ajuste nas propostas de trabalho do professor já é suficiente para que ele acompanhe toda a turma. "Em outras situações, é necessário buscar o apoio da área de saúde e, quando houver um diagnóstico, o atendimento educacional especializado (AEE) pode ser importante", explica Daniela Alonso, especialista em Educação Inclusiva.

Três exemplos de como a Educação tem sido repensada no mundo


 

As tecnologias utilizadas nas escolas eram, em sua maioria, destinadas a apresentar o conteúdo aos alunos. Mas, hoje, com a internet e uma quantidade enorme de informações disponível, o desafio é garantir qualidade e eficácia a esse acesso, além de proporcionar uma experiência que respeite as necessidades de cada estudantes e o ajude a ver valor naquilo que aprende. As novas tecnologias trouxeram a professores e gestores a necessidade de repensar a Educação e de entender como elas podem ajudar a garotada a desenvolver habilidades necessárias para os desafios de seu tempo.
Felizmente, a busca pela inovação na Educação é uma tendência global que conta com um grande número de experiências bem-sucedidas. Como pode ser difícil imaginar novos modelos educacionais com base somente na teoria, compartilho abaixo três exemplos de iniciativas inspiradoras que têm gerado ótimos resultados para todos os envolvidos.

Estados Unidos: gamificação na Playmaker School
Nessa escola da Califórnia voltada para os anos finais do Ensino Fundamental, criada pela GameDesk Institute com o financiamento da Bill & Melinda Gates Foundation, o currículo é dividido em módulos temáticos multidisciplinares e o aprendizado se dá por meio de atividades que incluem jogos, simuladores, produção de mídia e criação de projetos. O objetivo é que o aluno construa uma relação significativa (e divertida) com o conhecimento, sem deixar de atender a elevados padrões acadêmicos.
Para o monitoramento do próprio aprendizado, cada estudante recebe uma ferramenta personalizada e interativa chamada Mapa da Aventura. Trata-se de uma representação visual do caminho que ele está percorrendo ao longo do ano, sabendo onde começou, o que aprendeu até então e quais as possibilidades de trajeto. A ferramenta também permite que professores acompanhem o progresso de cada um, sugerindo módulos específicos de acordo com necessidades e déficits observados.

China: ensino personalizado na RDFZ Xishan School
Com o programa The Future School, a escola de Pequim, voltada para alunos de 9 a 18 anos, trocou as aulas tradicionais em forma de palestras por uma abordagem personalizada e baseada em projetos colaborativos que visam desenvolver as habilidades do século 21. Com a orientação dos professores e usando laptops, tablets e smartphones equipados com plataformas educacionais e outros aplicativos, os estudantes buscam maneiras interativas de aprender enquanto trabalham em tarefas desafiadoras. O programa dá ênfase aos estudos sobre construção da informação, mídia e tecnologia.
Hoje com 950 alunos, a RDFZ Xishan School tem se destacado em competições e exames nacionais, e é a única instituição de ensino público chinesa certificada pela Apple como uma Apple Distinguished School, espécie de de selo de qualidade dado a escolas inovadoras e de excelência. Para capacitar seus professores no ensino personalizado, ela se juntou a outras nove instituições de ensino pelo mundo para formar a Aliança Estratégica do Educadores Globais (SAGE), uma rede internacional que promove a troca de conhecimentos e recursos educacionais.


Colômbia: autodidatismo no Colégio Fontán
Essa escola particular de Bogotá, voltada para alunos da Educação Infantil ao Ensino Médio, não possui salas de aula, séries ou aulas expositivas. O Sistema Fontán se baseia no autodidatismo e na personalização para colocar o aluno no centro do processo de aprendizagem e, assim, combater o desinteresse. Após ser avaliado pelos educadores, cada estudante recebe um plano de estudos com base em suas habilidades e interesses, adequado à maneira como aprende melhor. Ele pode começar as atividades escolares em qualquer dia do ano e levar mais ou menos tempo para concluir o programa, de acordo com seu ritmo e desenvolvimento (mas respeitando alguns limites pré-estabelecidos).
Com a orientação de professores e sempre contando com tecnologias de informação e comunicação, como plataformas digitais e aplicativos, o aluno aprende por meio de projetos. Esse processo busca capacitá-lo para fazer pesquisas e contextualizar o conhecimento com que está trabalhando, identificando sua importância e fazendo a conexão com a própria vivência.
O processo de avaliação é contínuo e, quando o conhecimento atinge o nível de excelência esperado, o aluno parte para um novo projeto. A autonomia de escolher quando, como e onde estudar (já que o material de que precisa se encontra em ambiente digital) lhe permite desenvolver responsabilidade, autoconhecimento, organização e criatividade, entre outras habilidades essenciais para o século 21.
Reconhecido pelo Ministério da Educação colombiano, o sistema já foi implementado em outras escolas públicas e privadas da Colômbia e da Espanha e deve ser levado para outros países da América do Sul e da Europa.


Esses exemplos fazem parte de um universo muito maior de iniciativas brilhantes que, apesar de usarem métodos diferentes, seguem todos para a mesma direção: a valorização do ensino personalizado e de maior autonomia para os alunos e o uso de recursos tecnológicos para viabilizar isso.
Para conhecer outras histórias, recomendo o especial InnoveEdu, resultado de um mapeamento dos melhores casos práticos de inovações em educação no mundo feito pelo Porvir (Brasil), Edsurge (Estados Unidos), Innovation Unit (Reino Unido) e WISE (Catar).

Essa é uma reportagem de Claudio Sassake. Veja mais aqui.

sábado, 9 de janeiro de 2016

        A construção do conhecimento

As primeiras lições de História que uma criança aprende são de sua história pessoal: “Como eu nasci? Como eu era quando bebê?” O primeiro mapa que uma criança aprende a reconhecer é seu mapa corporal: ao ver o contorno do próprio corpo desenhado no chão, ela percebe uma representação gráfica da realidade. Os primeiros gráficos matemáticos ensinados na escola são construídos com os alunos enfileirados, de acordo com critérios simples (meninos e meninas, filas por cores, etc.), e fotografados de um ângulo que permita visualizar os dados quantitativos (“tem mais meninos ou meninas?”, “quantos estão de azul?”).
Nada disso é à toa. Se o primeiro referencial da criança é ela mesma, é por ela que se inicia a construção do conhecimento. É pelos sentidos físicos que começamos a apreender o mundo, é por nos movimentar que adquirimos noções espaciais, é pela vivência de uma rotina que dominamos a ideia de sucessão temporal. E é a partir desse primeiro estágio que se desencadeia um processo que pauta a elaboração de um plano pedagógico: a ordenação dos conteúdos numa sequência progressivamente mais complexa, cada aprendizado servindo de base para o próximo.
Poucas vezes esse processo ficou tão evidente como na mais recente Mostra Cultural Sabin, realizada em outubro de 2015, em que os trabalhos dos alunos da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I foram organizados por disciplina. Cada estande foi montado de forma a evidenciar a evolução dos aprendizados ao longo dos anos, em cada área do saber, do autorreferencial e concreto para o universal e abstrato. “Para nós, o novo modelo foi um grande ganho, por mostrar aos pais a qualidade e os efeitos do nosso trabalho”, diz Dionéia Menin, coordenadora pedagógica da Educação Infantil e do Ensino Fundamental I.

Do autorreferencial ao universal
Começando em si mesmos, alunos aprendem a olhar cada vez mais longe.




Primeiro, é apenas um círculo imperfeito e alguns traços no papel. Para uma criança de três anos, porém, o desenho representa uma pessoa. “As garatujas dos alunos do Maternal estão no início do trabalho com o esquema corporal”, diz a assessora de Ciências, Adriana Alonso. Segundo ela, a forma como a criança desenha uma pessoa corresponde ao seu grau de conhecimento sobre o próprio corpo e sobre o corpo humano em geral.
Assim, o desenho que, inicialmente, é uma coisa só vai se desmembrando em uma imagem cada vez mais refinada. No Pré I, por exemplo, o aluno já sabe identificar, em si e no papel, cabeça, tronco e membros. No Pré II, o rosto ganha expressões, por meio de variações em olho e boca; braços ganham mãos, mãos ganham dedos. O 1º ano explora os cinco sentidos, até que, no 2º ano, o aluno está pronto para olhar para dentro de si. Vem o estudo sobre micro-organismos e alimentação saudável, sucedido pelo estudo dos sistemas locomotor (3º ano), digestório, respiratório, circulatório (4º ano), urinário, reprodutório e nervoso (5º ano). Da fase da garatuja inicial à representação mais completa e precisa do organismo humano, todo o processo do aprendizado estava retratado no estande de Ciências da Mostra Cultural, em desenhos e projetos de alunos do Maternal ao 5º ano.


As demais disciplinas seguiam lógica semelhante. O trabalho de História, por exemplo, começa na Educação Infantil como parte da área Natureza e Sociedade. Nessa fase, alunos que ainda mal dominam o conceito de tempo – muito menos o de tempo histórico – investigam sua própria história, perguntando aos pais sobre a origem de seus nomes e sobre como eram ao nascer.
“Temos um projeto do Pré II em que cada aluno recebe um boneco de pano que o representa, confeccionado com as medidas aproximadas em que nasceu”, cita Luciana Vidal, assessora de História e Geografia. “Eles levam os bonecos para casa, para adaptá-los à sua semelhança: colocam cabelos, olhos, roupinhas”. A comparação entre quem são hoje e quem já foram representa um dos primeiros momentos em que eles percebem mais claramente a passagem do tempo.
A partir do Fundamental I, porém, a perspectiva vai se ampliando: da história de cada um, partem para a história de suas famílias e de seu meio social direto, confeccionando árvores genealógicas e relicários de classe, estes últimos com objetos significativos do passado de cada aluno. Só a partir do 3º ano eles entram em contato com a História do Brasil e do mundo.
Já em Matemática, aqueles primeiros gráficos montados com os próprios alunos enfileirados vão sendo substituídos por gráficos que exigem maior grau de abstração e domínio de novas variáveis, como gráficos de barras (comparações de dados estáticos), de linhas (extrapolação de dados estáticos em tendências) e de setores (análise da relação entre as partes e o todo).
Expostos lado a lado na Mostra, os projetos dos alunos ao longo das séries formavam um percurso pelos conteúdos aprendidos em cada área do conhecimento. O modelo não poderia ter dado mais certo. “Recebemos um feedback positivo das famílias”, diz Dionéia Menin. “Eles afirmaram que puderam entender melhor o contexto daquilo que seus filhos tinham aprendido e do que ainda aprenderão”.

Veja a reportagem aqui.


quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Brincando com a Geometria no Natal
 
                                                          Feliz Natal!!!











 

domingo, 13 de dezembro de 2015

Projeto ensina alunos das escolas municipais da cidade de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, a linguagem de Programação


PASSO FUNDO - Os olhos de Paola Chaves ficam vidrados na tela do computador. A estudante de 12 anos usa o mouse e corre os dedos pelo teclado com a habilidade de quem há tempos domina a máquina. “Esse é o jogo que fizemos na aula passada.” O game se chama Cante Comigo e foi desenvolvido com o Scratch, plataforma que ajuda novatos na criação de conteúdo interativo, trabalhos artísticos e músicas.

  Paola participa da Escola de Hackers, que leva a linguagem de programação a alunos do ensino municipal de Passo Fundo, a 350 quilômetros de Porto Alegre. O projeto nasceu em 2014, fruto de uma parceria da prefeitura com a Universidade de Passo Fundo e outras duas instituições de ensino superior, as Faculdades Imed e o Instituto Federal Sul-rio-grandense. Em quase dois anos, mais de 400 crianças participaram das aulas.


                                              A EMEF Eloy Pinheiro Machado, em Passo Fundo, no RS, participa do projeto Escola de Hackers


Há um encontro semanal no laboratório de informática das 20 escolas que participam da iniciativa. Cada aula tem uma hora e meia de duração e é realizada geralmente na parte da manhã. Os estudantes são orientados por alunos de cursos de graduação de uma das três instituições parceiras. Não há custos para a escola, que fica responsável apenas pela manutenção do laboratório de informática.
Além do ensino de programação, a Escola de Hackers tem como objetivo renovar a abordagem das disciplinas tradicionais do currículo escolar. “A base desse projeto é a Matemática, que é o que os alunos têm mais dificuldades aqui”, explica a coordenadora do laboratório de informática da escola, Marilene de Faria Madalena. “O raciocínio lógico deles melhorou depois que começaram a programar.” Marilene defende o uso de novas tecnologias em sala de aula. “Não podemos lutar contra o computador, contra a internet, precisamos fazer essas ferramentas ajudarem no dia a dia dos alunos.”
Coordenador da Escola de Hackers, Adriano Teixeira afirma que o trabalho realizado em Passo Fundo busca acrescentar novas formas metodológicas de ensino nas escolas. “É algo pioneiro no País. Constatamos que são poucas as atividades desenvolvidas pelos professores que de fato desafiam, impactam o estudante”, diz o coordenador. “Mas, para nós, mais importante que o aluno usar uma ferramenta específica, digitar um texto, é que ele aprenda a programação, porque, hoje, nossa vida depende totalmente de computadores.”
Em 2015, mais duas frentes do projeto foram lançadas: o Berçário de Hackers, para crianças das séries iniciais, e a Escola de Hackers Avançada, que tem como foco o ensino de robótica para alunos do ensino médio. Teixeira ainda faz questão de desfazer uma confusão comum sobre o nome do projeto, que acaba de receber dois prêmios estaduais. “O hacker é alguém que usa sua competência para melhorar o mundo. A pessoa que invade sites e comete crimes na internet é o cracker.”

Veja a reportagem aqui.