quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Modelo matemático ajuda a retraçar 3000 anos de História da humanidade

Uma simulação por computador permitiu reconstituir com precisão a emergência, a partir de pequenas comunidades, dos maiores impérios da Antiguidade - e explicar por que isso não aconteceu em todo o lado.
Por que é que uma sociedade humana deixa de ser apenas uma pequena comunidade local, isolada, e adquire a extensão e a complexidade social de um Império Romano (ou Persa, ou Assírio), onde milhões de pessoas são governadas pelas mesmas leis e cooperam entre si em nome do interesse comum - ou, pelo menos, de uma autoridade suprema? Por que é que isso aconteceu, ao longo da História, em certas regiões da Ásia, África e Europa, mas não noutras? Segundo resultados publicados na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, o principal motor da evolução da complexidade das sociedades humanas, é... a guerra intensiva.
Peter Turchin, da Universidade do Connecticut (EUA) - pioneiro da modelização matemática da História -, e colegas argumentam que, até agora, todas as teorias propostas para explicar a grande variabilidade observada na capacidade de um grupo humano construir um Estado como os que hoje conhecemos - coeso e viável apesar de os seus inúmeros cidadãos não se conhecerem pessoalmente, nem serem parentes uns dos outros - têm sido descrições verbais. Pelo contrário, o modelo que estes cientistas apresentam descreve a realidade através de parâmetros mais quantitativos e a sua validade pode ser testada comparando a simulação com o que realmente aconteceu ao longo dos séculos. Ora, quando a distribuição territorial da intensidade da guerra ao longo de 3000 anos de História - de 1500 a.C. a 1500 d.C.) - é tida em conta pelo modelo, a geografia da ascensão e queda dos impérios obtida na simulação corresponde de muito perto à geografia da ascensão e queda dos impérios que os livros de História nos contam.

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